Grupo Casa Ferreira Expande Atividade | Revista Business Portugal

Grupo Casa Ferreira Expande Atividade

Empreendedor por natureza, Manuel Ferreira assume a administração de 14 empresas. O sonho de criar um Grupo empresarial, que se complementasse, é hoje uma realidade e foi devido à sua resiliência e criatividade que a Revista Business Portugal esteve presente nas recentes instalações do Grupo para uma conversa com o homem por detrás do negócio.

Começamos por apresentar o Grupo Casa Ferreira e toda a dinâmica que o une através do senhor Manuel Ferreira. Como é que isto começou?

Isto começou há muitos anos, era eu muito novo. A nossa primeira empresa, que era a Casa Ferreira (agora denominada de Nova Ferreira), foi o negócio que assumi depois de o meu pai ter tido um problema de saúde. Esta empresa dedicava-se à comercialização de eletrodomésticos e mobiliário e depressa percebi que poderia alargar o negócio para uma atividade da empresa fez-me perspetivar mudanças num futuro próximo complementar ao serviço que já prestava: a assistência técnica. Assim surgiu a Nuflasom. A partir daí, começámos a prestar assistência e apoio ao cliente no que diz respeito aos eletrodomésticos por nós comercializados, dando-nos a oportunidade de prestar um melhor serviço e, ao mesmo tempo, de satisfazer ainda mais os nossos clientes. Este crescimento expandiu-se até Angola e, por esta altura, firmava posição no mercado Angolano com a criação de uma nova empresa ligada aos eletrodomésticos naquele continente. Simultaneamente, apareceu a Novibelo. Já trabalhávamos há mais de 20 anos com uma empresa, nossa fornecedora de mobiliário, quando esta encerrou. Na altura, perante a iminente situação de desemprego em que as mais de 20 pessoas (que lá trabalhavam) estavam, decidi enveredar pela área do mobiliário e nasceu assim a Novibelo. Esta empresa sediou-se no concelho de Paredes, por este pertencer à Rota dos Móveis e pela facilidade de acessos a pontos estratégicos, tais como, o Porto de Leixões e o aeroporto. O crescimento gradual da empresa fez-me perspetivar mudanças num futuro próximo e foi aí que começou a idealização deste Centro Empresarial.

No ano de 2016 iniciámos a construção da primeira fase onde sediámos a Novibelo. No decurso do projeto, tornei-me sócio da empresa responsável pela construção: “Josnog”. Operámos algumas mudanças e reestruturações, no intuito de agregar valor e oferta de serviços (prestados), surgindo então a Josnog – Engenharia e Construção, a Josnog – Imobiliária e a Josnog – Carpintaria Técnica. Fui ainda percebendo que seria benéfico e viável criar uma sinergia entre as empresas do Grupo, ou seja, fundar empresas que pudessem acrescentar valor às demais, pelo complemento de trabalhos, e, em última instância, prestar um serviço mais completo e unificado aos nossos clientes (atuais e potenciais). Com esta asserção, é fundada mais uma empresa, a Iluscos, que oferece serviços integrados de instalações especiais de eletricidade, pichelaria, AVAC e telecomunicações.

Isto funciona como um centro empresarial? Todas as empresas desenvolvem a sua atividade aqui?

Não. Este é um centro empresarial privado e, neste momento, tem 7 das 14 empresas sediadas e a funcionar aqui. A Nova Ferreira, por exemplo, continua sediada no local onde foi inicialmente fundada. Para além das empresas mencionadas acima, temos ainda no centro empresarial a HAP (Home Appliances Platform), que surgiu para colmatar uma lacuna existente na Nova Ferreira, possibilitando-me exercer a mesma atividade noutros mercados e com outras condições. Não obstante, adquiri, muito recentemente, uma marca de vestuário: a Heavy Jeans. Esta é uma marca de roupa que nasceu há 42 anos, cujo objetivo é voltar em força ao mercado. Esta empresa também já tem o seu espaço nas nossas instalações. A produção é subcontratada a outras empresas nacionais. A comercialização e desenvolvimento do produto é interna e autónoma. Trabalhamos com designers da área do estilismo para desenvolvermos as nossas coleções.

É um desafio fora do normal. Até agora, todas as empresas estavam interligadas por setores, no entanto, esta foge um bocadinho.

Esta foge. Todas elas são desafiantes e cada uma tem as suas particularidades. Compreendo o seu ponto de vista, pois esta é a única que não se insere na esfera global dos serviços que vimos a prestar. No entanto, detenho no Grupo uma boa “ferramenta” de marketing para a marca: os cerca de 400 colaboradores, que serão os primeiros modelos da mesma.

Quais os principais mercados deste conjunto de empresas?

Todas as empresas atuam quer no mercado nacional como no internacional. Logicamente, cada uma tem os seus mercados “fortes”, mas, no geral, estamos presentes em cerca de 15 países nos diversos continentes.

Essa estratégia de diversificar quer o negócio quer o mercado envolve muita criatividade e empreendedorismo. Como organiza a sua estratégia e toma as suas decisões?

O meu principal foco é manter-me fiel ao que sou e aos princípios morais em que acredito. Durante estes anos como empresário fui aprendendo todos os dias, não apenas com as empresas como com as pessoas que as integram. Enquanto empreendedor, assumo que gosto de desafios e isso implica investimento. Para além da vertente financeira, há ainda a vertente social e humana que me cativa e sobre a qual tenho especial atenção. Acredito que é o valor humano que compõe e potencia uma empresa. As infraestruturas não passam de paredes, o que é realmente importante são as pessoas.

Quantas pessoas trabalham neste Grupo?

Neste momento, contamos com mais de 400 colaboradores.

Conhece as 400 pessoas?

Sim.

Ou seja, é um administrador próximo das equipas?

Sim, posso dizer que a primeira coisa que faço, quando chego a cada empresa, é cumprimentar as pessoas todas pelo nome. Sozinho não sou nada e todos os dias tento delegar o mais possível. Aqui tudo passa por mim, mas de uma forma filtrada, fluída, porque tenho ao meu redor uma equipa na qual confio para gerir as situações diárias por mim. Eu decido todos os dias. Quando me ligam, eu decido. Acho que quando estamos nestas posições é muito mau não decidir, portanto, isso eu faço todos os dias. Todos os problemas que aparecem, eu costumo dizer à minha equipa “se são problemas, então existe uma solução, só temos de a encontrar e operacionalizar. O problema é quando não há problemas”.

Estando nós a falar com um administrador de 14 empresas, não posso deixar de perguntar quais são os principais desafios impostos a um empresário hoje em dia. Quais são os principais desafios com que se depara?

O maior desafio é acordar. Acordar todos os dias. Acordando, o resto vai acontecendo. Podia aqui salientar as burocracias, as políticas ou a falta de celeridade em alguns processos dos quais dependemos institucionalmente, mas não faria diferença. Gostaria de ver os empresários que, como eu, fazem importantes investimentos, com impacto regional e nacional, serem mais valorizados num panorama geral.

O senhor Manuel Ferreira é natural daqui de Paredes?

Não. Eu sou natural do Marco de Canaveses. Nasci no Marco e vivo no Baixo Concelho, mais especificamente na freguesia de Alpendurada, Várzea e Torrão. Estou lá há muitos anos, tenho lá residência e também sou presidente da Associação Empresarial do Marco de Canaveses.

Considera que esta zona é uma zona criativa onde acontecem muitas coisas?

Sim, acho que há aqui muito trabalho nesse sentido. Acho que estes concelhos são ricos em pessoas de muito esforço e dedicação. Depois é só juntar um pouco de criatividade, como em todos os projetos.

Pedimos-lhe agora uma palavra para que o leitor entenda tudo aquilo que pode encontrar na vossa empresa. A minha ideia sempre foi oferecer uma solução integrada. Neste momento, posso dizer que conseguimos pegar num projeto embrionário e desenvolvê-lo na totalidade. Falemos, por exemplo, de um hotel, conseguimos iniciar com a terraplanagem, construir as infraestruturas, dotando-as de todos os requisitos necessários, mobilar, equipar e decorar o interior. E o melhor? Conseguimos fazer tudo isto de uma forma interna, recorrendo apenas a empresas do Grupo Casa Ferreira. Posso dizer que é o realizar de um sonho.

Por onde passa o futuro deste grupo?

Eu costumo dizer que o caminho faz-se caminhando e o grupo está a caminhar.

Entrevista presente na Revista Business Portugal, um suplemento do Público.